Única mulher candidata ao Senado pela Bahia nas eleições de 2026, a professora Delliana Ricelli (PSOL) participou ao vivo do programa Entrelinhas, transmitido pela rádio Estação Bahia e o canal doYoutube Ipolítica Bahia. Na entrevista, criticou a ausência de mulheres nas principais chapas ao governo do estado e apresentou propostas para políticas públicas voltadas a mulheres, segurança e emprego.
Logo no início, foi dura ao classificar a composição das principais candidaturas ao Senado na Bahia, marcada, segundo ela, por uma chapa de "homens brancos viciados no poder". Isso escancara, na sua avaliação, a falta de representatividade de mulheres, negros e jovens nos espaços de decisão política do estado.
A candidata também mirou os principais concorrentes na disputa. Sobre João Roma (PL), disse que ele é ligado ao bolsonarismo e defende pautas retrógradas e fascistas, contribuindo para a manutenção do que chamou de extermínio do povo preto. Já Ângelo Coronel (Republicanos) foi classificado como "traidor": eleito há oito anos na chapa encabeçada pelo PT, ele revelou ter sentido vontade de votar em Bolsonaro na última eleição.
O próprio PT, partido que administra o estado há mais de 20 anos, também foi alvo de críticas. Delliana argumenta que, apesar dessa longevidade no poder, a legenda não reconhece nem valoriza o protagonismo feminino na política. A prova, na leitura da candidata, é a ausência de qualquer mulher na chapa majoritária petista.
Para a candidata ao Senado, é fundamental que mulheres com sua trajetória, pretas, professoras, de origem popular, ocupem espaços de poder, representando de forma legítima as pautas voltadas à população preta, às juventudes e às próprias mulheres. Ela resumiu essa urgência assim: "Apenas as mulheres sabem o que é sair do transporte com a chave na mão para abrir a porta rapidamente. Quais são as dores que sentimos e o que precisamos fazer na política para melhorar".
Questionada sobre segurança pública defendeu uma mudança no modelo de atuação policial. O Brasil, na sua avaliação, tem condições de investir em uma polícia mais investigativa, que vá além do papel repressivo, com outros moldes de policiamento que não se resumam à força armada do Estado.
A candidata falou ainda sobre a necessidade de políticas de emprego para mulheres com mais de 60 anos, grupo que, na sua percepção, costuma ficar de fora das políticas públicas de trabalho e renda.
Delliana criticou também o ativismo em nome do "famigerado mercado". "Ele vai continuar se posicionando contrário à agenda que leve progresso para as camadas populares da sociedade. Não podemos continuar votando naqueles que se posicionem dessa forma. A gente tem por obrigação fazer uma grande faxina na política e tirar essa turma que tem votado continuamente contra aquilo que é nossa dor", afirmou.
